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Cena do filme Shortbus

10 Filmes de Sexo Explicito no Cinema Convencional

Adoro cinema e erotismo, principalmente aqueles filmes que fogem do convencional, que a gente tem que pensar um pouquinho mais para entender a mensagem por trás da explicitude…

Até porque, a vida é assim, nada é exatamente o que parece ser e, quase sempre o óbvio, não passa de um ponto de vista.

Exatamente por este motivo, ao longo do tempo escolhi dez filmes onde o sexo explícito apesar de ser o fio condutor não são exatamente o ponto principal. No entanto, para facilitar, resolvi reuní-los em um ínuico post para entrar em nossas Top Dicas.

Portanto, dispa-se de preconceitos, prepare a pipoca e, de preferência muito bem acompanhado pára depois “debater” sobre o assunto, conheça 10 filmes de sexo explícito que não são pornôs, mas que (alguns deles) nos deixam bem acesos.

Clique na imagem para ver o poster do filme completo. Se gostarem, em breve começo uma nova leva de indicações, ficou tanta coisa de fora…

9 canções – 9 Songs

Em Londres, durante alguns meses, um casal – ela uma estudante americana e ele um glaciologista britânico – mantém uma relação extremamente sexual e pouco interativa. A história é contada entre nove canções de rock.  O filme ficou famoso pelo sexo explícito entre dois atores jovens e belos, mas ele é mais, nos leva a refletir sobre sexo e relacionamento. Meio lento, às vezes cansativo, mas vale pelo sexo e pela reflexão.

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Anatomia do Inferno – Anatomie de l’Enfer

Com Rocco Sifredi e Amira Casar. Mulher deprimida tenta se suicidar no banheiro de uma boate gay, mas é salva por um desconhecido que parece ter grande desprezo pelo sexo feminino. Ela então o contrata para visitá-la por quatro noite, para que ela possa fazê-lo entender o que é ser mulher. O filme é complicadinho, ritmo lento, as personagens não tem nome, mas a própria diretora já dá o recado de que é um filme para reflexão. Cenas antológicas de exibicionismo, voyeurismo, sexo oral, adoração anal, menofilia…

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Ken Park

Em um subúrbio da Califórnia adolescentes interagem fazendo suas descobertas, sobretudo sexuais, tendo que  conviver com seus dramas e conflitos pessoais e sociais. Suicídio, pais negligentes, MILFs, incesto, homossexualidade, asfixia autoerótica, psicopatia, sadomasoquismo, ménage-à-trois, gravidez adolescente… O sexo apresentado no filme é sempre conflituoso, traumático… Se o tema mundo cão te excita, vá em frente!

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Lucia e o Sexo – Lucia y el Sexo

Em uma ilha do mediterrâneo, Lucia se esconde do mundo após uma tragédia em sua vida, e nesta ilha, várias outras vidas se convergem entre si de modo inexplicável. Na verdade, tudo está relacionado ao namorado dela, um escritor, que teve sua vida e sua obra fundida de modo trágico.  Pode parecer meio lúgubre e o filme até tem seus momentos meio dark, mas de um modo geral, o sexo mencionado no título é quase sempre um sinônimo de luz, vida… Paz Vega está belíssima e suas cenas de sexo sensacionais. É um filme sexy e tocante.

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Na Cama – En la Cama

Em Santiago, Chile, um casal desconhecido, ambos com 30 anos,  se encontra na boate e parte para uma noite de sexo casual em um hotel. E como ninguém faz sexo todo o tempo, o filme é entremeado com muita diversão, conversa, algumas mentiras e um limite, a vida pessoal de cada um, que ao acaso se intromete, lembrando-os que a vida real vai além daquele quarto. O filme tem versão colombiana (Entre Sábanas), brasileira (Entre Lençóis) com Gianechinni e Paola Oliveira, e até mesmo uma versão lésbica (Habitación en Roma) do diretor Julio Medem

O Império dos Sentidos – Ai no Corida

Baseado em uma história real, em 1936, empregada se envolve com o dono da propriedade e começa a viver uma relação de amor e sexo em uma entrega total de ambas as partes, extremamente co-dependentes. O filme entrou para a história pelas cenas de sexo fortes, sexo oral, asfixia erótica, urofilia, pompoarismo e, é claro, o ovo cozido… rs. O fim é trágico e apesar do explícito conteúdo erótico, muitos o consideram um filme  meio moralista, mas… Vida real não tem como mudar o fim, né?!

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Os Anjos Exterminadores – Les Angés Exterminateurs

Enquanto escolhe o casting de seu novo filme, que fala do prazer feminino, cineasta se envolve de uma maneira intensa com as atrizes. O que ele não sabe é que não passa de um joguete nas mãos de umas anjas sádicas que parecem se divertir com o seu jeito quase inocente, apesar de transgressor, de falar do prazer. Tem ótimas cenas lésbicas e erotismo psicológico MaleDom. O roteiro é ruinzinho, mas o sexo é ótimo!

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Os Sonhadores – The Dreamers

Em 1968 um jovem americano vai estudar em Paris e conhece dois irmãos gêmeos, um rapaz e uma moça, que compartilham com ele a mesma paixão pelo cinema. A amizade se desenvolve de maneira extremamente intensa e incomum, já que os irmãos nutrem um pelo outro uma paixão incestuosa, mas não concretizada. Isso tudo em meio às revoltas estudantis daquela época. As cenas de sexo são belíssimas e, apesar do tema forte, o filme tem até uma certa ingenuidade.

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Romance

Professora mora com o namorado, um modelo famoso, que a ignora sexualmente numa total falta de desejo. Ela então, parte em busca de outras experiências sexuais com estranhos e também com um colega, com quem se envolve em uma relação BDSM. O filme é sempre muito denso, às vezes bem paradão, mas tem cenas ótimas de sexo, masturbação, BDSM e, inclusive, o ator pornô Rocco Sifredi fazendo sexo, é claro.

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Shortbus

Terapeuta sexual casada e pré-orgástica (está sempre a um passo de… mas nunca chega lá) conhece o Shortbus (casa noturna onde eventos artísticos mesclam com uma intensa atividade livre e sexual) conhece o Shortbus por intermédio de um casal de pacientes gays que querem trazer um terceiro parceiro para a relação. Os primeiros minutos do filme já valem a indicação por causa do sexo, no entanto, o filme é bastante reflexivo e consegue sê-lo de maneira extremamente leve. Imperdível!

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Cena do filme O império dos sentidos

O Império dos Sentidos – Ai no Corida

Quando o assunto é sexo real em cinema convencional, se existe um filme antológico que não pode faltar em qualquer lista, este é drama erótico: O Império dos Sentidos (1976) de Nagisa Oshima.

Como bem lembrou a querida Angélica Hellish em nosso PodCast de Sexo especial sobre Cinema e Erotismo,  depois dele nunca mais olhamos para um ovo cozido de maneira inocente…

Porque O Império dos Sentidos é assim, um filme que choca, quase enoja alguns, porque o sexo do outro é que nos provoca isso, o nosso, ah, é nosso… rs.

O filme conta a história real entre Abe Sada e Kichizo. Ela, uma ex-prostituta, ele o dono da propriedade em que ela vai trabalhar como empregada e que eventualmente se põe a observar os siricuticos amorosos dele com a esposa. A relação começa descompromissada, mas logo vai se tornando obsessiva.  Ambos se envolvendo de maneira intensa e co-dependente. Onde o sexo se transforma quase numa tentativa de simbiose total e irrestrita, como se fosse possível.

Cenas de sexo totalmente explícitas. E mais, que foram gravadas em um clima quase sagrado, afinal foi baseada em uma história real de 1936.

Em O Império dos Sentidos voyeurismo, exibicionismo, menofilia, pompoarismo, urofilia, sadomasoquismo e asfixia erótica acontecem para contextualizar esta relação de amor total, paixão extrema, verdadeira antropofagia sexual que termina de maneira trágica.

Sem muitas palavras, apenas a indicação. Imperdível.

Foto de Jóan Tomas, com Paz Vega e Trist‡an Ulloa. Fotografi’as realizadas para a promoção do filme "Lucia y el sexo"  dirigida por Julio Medem

Lucia y el Sexo (Lucia e o Sexo)

Paz Vega e Trist‡an Ulloa, por Jóan Tomás, no Flickr

Não sei bem como começar, realmente gosto de Lucia y el Sexo (2001) de Julio Medem, pra mim é um daqueles filmes que a gente ama ou odeia e eu amei, mas mesmo que o filme fosse ruim, posso dizer que indicaria pura e simplesmente pela belíssima Paz Vega em excelente forma, tanto na atuação quanto seu corpo irretocável.

Lucia e o Sexo é daquelas obras que o título choca mais que o filme em si, há sexo, claro que há, mas é um filme até meio moralista, apesar de toda explicitude. Por trás de cada cena de sexo que acontece no filme há sempre algum mistério, alguma culpa, vidas e destinos entremeados ao acaso e dor, muita dor…

Ainda assim, este é um filme que enternece, encanta, há sexo, mas há poesia, nos faz empáticos quanto aos sentimentos, prazeres e sofrimentos das personagens e suas desgraças em efeito dominó.

(…) A figura central, apesar do título, é Lorenzo, um escritor. No começo do filme ele está em crise. Telefona para a namorada, Lucia, e sofre um acidente.

Uma bem amarrada série de flash-backs mostra sua relação com outra mulher, o inusitado início de namoro com Lucia, o envolvimento com uma história escrita por ele a partir de situações reais, a interferência dessa história em sua vida e uma tragédia ligada tanto a seu passado quanto a sua literatura.

Por trás de todos esses acontecimentos, ou à frente deles, está o potencial mobilizador do desejo. Ele gera vida e morte. Desperta fatos e ilusões. Em uma das melhores cenas, Lucia diz durante o orgasmo: ‘Assim eu morro’. Vida demais para ser concentrada em um instante. Sexo como subversão do ordinário.

Lucia e o Sexo é daquela rara espécie de filme, hoje quase em extinção, cuja amplitude precisa ser absorvida sem tanta objetividade. Permite ao espectador a tarefa de preencher os hiatos premeditados pelo autor e deixar a subjetividade mediar a relação com as imagens. (…)

Leia o texto completo de Cléber Eduardo para a Revista Época , clique aqui

E se tudo o que leu acima sobre o filme ainda não o convenceu de que vale a pena assistir, segue abaixo o trailer. #ficadica

PS – Está na minha lista para assistir Habitacion en Roma (2010), do mesmo diretor, uma versão lésbica de En La Cama, que teve até versão brazuca com Gianechini e Paola Oliveira e se passa todo num quarto de hotel

Os Sonhadores – Incestuosamente Românticos

Os Sonhadores (The Dreamers – 2003), de Bernardo Bertolucci,  não é um filme de sexo explícito, mas a paixão e a sensualidade é explícita e envolvente. Presente a todo momento, das citações cinematográficas às situações em geral.

Na Paris de 1968, em meio a toda a efervecência cultural da época e o burburinho de protestos estudantis, um casal de gêmeos franceses, cinéfilos e  totalmente piradinhos, Theo e Isabelle, que se envolvem em uma relação a três com um estudante americano, Matthew, também apaixonado por cinema.

Os irmãos, que nutrem um paixão incestuosa, mas não consumada, parecem buscar que Matthew seja uma espécie de elo de ligação entre o desejo explícito, mas não realizado, dos dois. Algo muito mais poético e romântico do que o sexual, propriamente dito.

O resultado é um filme de um erotismo (e não só erotismo) quase ingênuo apesar do tema tabu,  pois afinal é um momento de mudanças, experimentações, de descobertas políticas, sociais e sexuais, misturando referências reais, com a ficção.

 

Ken Park – Explícito e Nauseante

Ken Park, de Larry Clark, é um filme que tem sexo, mas não é um filme erótico. Se em Shortbus temos um filme onde o sexo e mesmo os problemas à partir dele são resolvidos de uma maneira totalmente alto astral, em Ken Park é exatamente o oposto.

O filme, que se passa em Visália, subúrbio da California, mostra pais e filhos desajustados. E, sinceramente, tem que ter estômago para assistí-lo do começo ao fim.

Larry Clark conseguiu unir em um só filme, conflitos (suicídio, pais negligentes, MILFs, incesto, homossexualidade, asfixia autoerótica, psicopatia, sadomasoquismo, ménage-à-trois, gravidez adolescente…) que Almodóvar dissecaria um a um e talvez fosse indicado a um Oscar por isso, mas o que conseguiu foi uma certa náusea no expectador, e… Certamente um bom buxixo (debate) posterior.

O sexo apresentado no filme é sempre conflituoso, traumático… Curiosamente, a cena mais leve é um sexo grupal, que acontece no fim, mas todo o resto é muito denso e tenso. A menção à ereção quando o molequinho psicopata mata os avós é totalmente desnecessária e doentia.

Se o tema “mundo cão” te excita. Vá em frente, mas… Esteja preparado para assistir cenas um pouco fortes. No entanto, confesso, é o tipo de filme que vale ser visto até mesmo para criticá-lo.

Romance e Anatomia do Inferno – Catherine Breillat

E continuando os comentários sobre filmes de sexo explícito no cinema convencional seria impossível deixar de comentar os de Catherine Breillat.

Em 1999 com o filme Romance, a diretora – que chegou a participar como atriz no antológico Último Tango em Paris, de Bertolucci – trouxe novamente o debate sobre cinema e sexo explíto, talvez com a mesma força que foi debatido nos anos 70, com Império dos Sentidos.

No entanto, foi com Anatomia do Inferno, baseado em seu livro Pornocracia (livro que chegou a ser censurado em Portugal graças à capa “pornográfica”, uma pintura de Gustave Coubert)  que a diretora conseguiu levar o debate a um ponto bastante acalorado. Onde termina a arte e começa a pornografia e vice-versa.

Em seus filmes, o sexo tem um sentido quase filosófico de tanto que é analisado e questionado. Suas personagens são sempre muito densas, quase (?!) sofridas pela condição de ser mulher, mas sobretudo parecem estar presas em si mesmas e usam o sexo e a exploração da sexualidade para refletir sobre si mesmas, como um canal de libertação.

Em 2009, a diretora resolveu fugir  um pouco do seu estilo “debate sexo cabeça” e ousou  criar versões  feministas  de contos como Barba Azul e Bela Adormecida, de Charles Perrault. No entanto, por aqui, não são os contos de fada que mais nos interessam… rs.

Decidi comentar apenas dois de seus filmes, Romance e Anatomie de l’Enfer (Anatomia do Inferno), ambos com participação do famoso ator pornô Rocco Sifreddi. Basta acessar os links, clicando nos nomes acima ou imagens abaixo: