Sexo Sagrado e Magia Sexual – Marcelo Bueno

A B me pediu, há algumas semanas, para escrever sobre Sexo Sagrado e Magia Sexual. Cheguei a escrever algumas coisas, mas nada me deixava satisfeito o suficiente para passar adiante. O tema é delicado e, quer você acredite em alguma coisa ou não acredite em nada, a grande tendência é gerar alguma polêmica.

O sexo gera grande energia. A masturbação masculina, mais do que a feminina, é “condenável”, entre outras razões, por ser um desperdício. O “x” da questão está no sêmen, e daí algumas tradições cultivar o orgasmo sem ejaculação como uma prática que eleva – e muito – a vitalidade.

Alguns poderão associar a expressão Magia Sexual ou Sexo Sagrado ao Tantra, mas há muitas distorções a este respeito. O Tantra não existe como uma forma exótica de se praticar o sexo. O ato sexual é apenas uma parte (uma alternativa entre tantas) de transformar o desejo em algo transcendente. O Tantra trabalha com vários sentimentos, como a raiva e o medo, só para citar dois. Quando se trata de desejo sexual, o seu objetivo não é o orgasmo, tal como o conhecemos ou gostaríamos de vivenciar, mas realmente o êxtase espiritual, onde deixamos de ser uma personalidade fragmentada para nos tornarmos Um com o Universo.

“Ao invés da noite opondo-se ao dia, a escuridão suprimindo a luz, as polaridades estarão trabalhando juntas para criar um todo unificado, transformando-se ininterruptamente uma na outra, cada qual contendo a semente do seu oposto no seu âmago mais profundo”

Osho, a respeito da carta da Temperança (que ele dá o nome de Integração) em seu baralho de Tarot.

Na Bíblia é dito que o homem foi feito do barro e a mulher das costelas dele. Estudiosos afirmam que esta passagem seria um indicativo de que o primeiro ser era andrógino e foi separado, homem e mulher.

Na Índia, existe a imagem de Ardhanari (ou Shiva-Shakti) que resgata este conceito. O Yab-Yub (“Pai-Mãe”) tântrico, que traz duas deidades copulando, uma sentada de frente para a outra, também fala de equilíbrio e integração dos opostos. O sexo aqui é usado como metáfora para a iluminação da mente e a imagem, entre monges, é usada como objeto de meditação apenas entre iniciados.

 

O sexo sagrado é ritualizado e cheio de regras para que a conexão seja perfeita. Entre todas aquelas polaridades conhecidas através do Yin e Yang (dia-noite, quente-frio, alto-baixo, perto-longe, etc), existe uma que é a força e a forma. É dito que o homem prospera no casamento (um casamento harmônico, obviamente) porque o homem traz a energia e a mulher dá a forma, logo, os dois realizam tudo aquilo que eles aspiram e é bom para o desenvolvimento deles.

Discutindo sobre o tema em uma comunidade do Orkut certa vez, alguém escreveu ofendido porque eu escrevia que esta comunhão não rola entre gays. O sujeito em questão dizia ter ‘”uma alma feminina” mas esta é uma daquelas questões em que “o que vale é a intenção” não conta: se tem chave é homem, se tem fechadura é mulher – simples assim. Não existe nada de preconceituoso nisso.

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Marcelo Bueno é Tarólogo, terapeuta em Cura Prânica e mantém o blog Zephyrus, entre outros. 

9 opiniões sobre “Sexo Sagrado e Magia Sexual – Marcelo Bueno”

  1. Sou adepto do sexo sem orgasmo e a magia sexual!… Com experiência e prática!…

    Gostei do seu blog!…

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  3. A questão de orgasmo sem ejacular é muito interessante. É algo, para mim, difícil de alcançar.

    Mas eu nao desisto nunca. Só o fato de saber que o homem pode ter vários orgasmos durante uma transa já me deixa animado para estudar mais e fazer mais exercícios.

    Uma das minhas metas para 2008: gozar sem ejacular. Imagine quão estrago seria feito com uma mulher.. Imagine fazer ela gozar 20 vezes.. e eu gozando 5 uhauhau. Felicidade total.

    Bjos B.

  4. Sobre o tantra existem 7 escolas principais sendo que basicamente elas se dividem em 3 categorias de acordo com algumas premissas:

    Consumo de carne

    Utilização de drogas

    Utilização de alcool (redundância, mas é para ficar claro)

    Utilização de fumo

    Questão orgasmo x ejaculação

    A linha branca, ou dakshina

    Não usa nada que altere a consciênca (drogas, fumo, alcool, etc)

    Não come carnes de nenhum tipo

    Recomenda a continuidade do prazer sem ser cortado pela descarga energética advinda do orgasmo.

    A linha negra se utiliza de todos os itens…

    As linhas intermediárias se utilizam de uma forma mista…

    Com relação a ejaculação para a escola de linha branca ela não é determinante o importante é adiar o orgasmo.. primeiro por uma vez.. depois por duas.. depois por algumas horas.. depois por alguns dias… o crescente energético pela não utilização da energia pela descarga energética causada pelo orgasmo transborda para outras áreas da vida como saúde, criatividade, vitalidade, longevidade… etc.

    Abraços :)

  5. Acho que o melhor deste texto é a objetividade, apesar de tratar-se de um assunto bem subjetivo o Marcelo conseguiu fazer algo fácil de ler e bom de refletir. Deu até vontade de ter uma pessoa especial pra praticar… risos. Sim, porque eu acho que o sagrado da coisa está em "com quem se faz" e "por qual motivo". O resto é instinto e entrega.

  6. Oi

    Muito bom o texto do Marcelo, sucinto e fácil de entender. Também já pesquisei sobre sexo tântrico e achei tudo muito complicado, explicações técnicas de mais, presupondo um conhecimento prévio.Penso que no sexo o que vale é mesmo a troca de energia, quando se sente a fusão com o outro, quase que como naquele momento por mais breve que seja nos fosse dado o poder de transcender, pelo menos por alguns breves minutos estarmos em total comunhão com uma parte do outro que não tocamos normalmente, com a essência de que todos nós seres humanos somos feitos, afinal todos nós temos algo de "sagrado". Acho que é isso que faz com que depois do orgasmo nós tenhamos a sensação de estar em um lugar distante e não há necessidade de palavras, naquele momento nossas almas estão em perfeita comunhão.

    B. Parabéns pela idéia de postar esse assunto.

    Beijos

  7. Esqueci de comentar:

    "A masturbação masculina, mais do que a feminina, é “condenável”, entre outras razões, por ser um desperdício. O “x” da questão está no sêmen, e daí algumas tradições cultivar o orgasmo sem ejaculação como uma prática que eleva – e muito – a vitalidade."

    Eu que tenho um tesãozinho em práticas de controle e privação, adorei saber desse detalhe… risos. Daí o outro pode canalizar o prazer dele em me dar prazer. Olha que maravilha?!

    (Ok, sei que sou um caso perdido, mas tinha que brincar sobre isso)

  8. Poxa Marcelo, obrigada por escrever o texto. Já estou há algum tempo pesquisando e só encontrava umas coisas muito longas e rebuscadas que diziam uma coisa no começo e acabavam por se desdizer no fim, sei lá…

    Não sou uma estudiosa no assunto, e por isso acho que como quase todo mundo, ligava o assunto a algo como o sexo tântrico (e pelo que vc deixou claro no texto, não é, pelo menos não só isso).

    O que entendi do texto é que, independente de como se chega lá, o sagrado ou mágico em si não está só nos ritos, mas na energia que emana da fusão e equilíbrio entre o masculino e o feminino.

    Valeu pelo post.

    Beijocas!

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