Quero gozar agora!

 

O que um homem é capaz de fazer na esperança de ter o que deseja? Eu que lido com fetichistas há algum tempo posso responder: “Tudo!” No entanto, nem precisa ser fetichista para estar aos pés de uma mulher. Um exemplo clássico disso é a fixação de alguns homens por virgens, são capazes de virar animais de estimação por essa gloriosa moeda de troca, o cabaço. O simples vislumbre da possível satisfação do seu desejo emburrece e cega o mais inteligente dos homens. Alguns percebem as artimanhas e se divertem com o jogo, deixando-se seduzir e conduzir, pelo prazer do gozo final. Outros, simplesmente acatam, acreditam e esperam…

Foi assim naquela tarde, ele esperou… Sei que muitos jamais entenderão o prazer que sinto com esse tipo de restrição. Provocar e negar. É um prazer psicológico. Sem contar o prazer de saber que o outro, fará exatamente o que eu disser, na esperança de obter o que deseja. Naquela tarde o prêmio era o meu pé.

Intencionalmente fui ao encontro com um vestido bem soltinho e botas na altura dos joelhos. Minha (já famosa) e enorme bolsa de vinil preto que é capaz de guardar de tudo um pouco dentro dela e ainda ser fashion. Quando ele me viu, olhou para meus pés e suspirou; “Você é má!”, me deu um beijo no rosto e sorriu. Quem entenderia se eu dissesse que este olhar desconsolado dele me fez melar de tesão?

No quarto, como sempre, pedi que tirasse a roupa. É um outro prazer meu, continuar vestida enquanto o outro se despe por completo. E chegando juntinho dele, ainda não totalmente nu, um suave beijo nos lábios antes da pergunta: “Saudades dos meus pés?” e ele simplesmente consentiu com um aceno de cabeça. Dei a volta e por trás dele, continuei a perguntar em seu ouvido: “Você confia em mim?” e ele respondeu mais uma vez que sim. E então, pedi que ajoelhasse diante de mim. Mais uma vez obedeceu. Com a mão em seu rosto, olhando em seus olhos, fiz a derradeira pergunta: “O que faria esta tarde para ter o prazer de tocá-los (meus pés)?” E ele num suspiro respondeu sincero: “Tudo!”

O melhor da Dominação é ter em minhas mãos o direito de fazer (ou não) qualquer coisa, com o consentimento do outro. É claro que numa relação D/s existem limites, e o submisso quem delimita isso. No antanto, o prazer do Dominador é justamente tentar ampliar estes limites. Pelo prazer inusitado do outro e consequentemente o seu próprio. A fantasia da Dominação é prepotente, conduzir o outro a algo que jamais faria por vontade própria e, ainda assim, gozar com isso.

Quando ouvi a resposta, tudo, senti a xota mais uma vez melar de maneira generosa, abundante. Diante dele, tirei a calcinha, passei o dedo entre as pernas e melei-o em meu suco. Com ele ainda de joelhos mostrei meus dedos melados a ele, que arregalou os olhos surpreso. “Vê? Este jogo me excita! Realmente faria tudo pelos meus pés?” e ele consentiu mais uma vez.

Sentei então na beirada da cama, abri as pernas e simplesmente disse: “Ótimo, quero um orgasmo agora. Chupe!” E ele não acreditando no pedido, como quem pensa em voz alta, retrucou: “M… mas assim? Sem nenhuma preliminar?” E eu, que já havia me recostado na cama, sentei e novamente olhei em seus olhos: “Você não entendeu, estas são as minhas preliminares, quero gozar agora e você vai fazer isso! Será que é incapaz?” e ele consentiu. Posicionando a cabeça entre minhas pernas e começando a chupar, magistralmente, minha xota melada. Não sei se foi pelo tesão que eu estava com a situação, talvez até a sensibilidade, pois na noite anterior eu havia me mesturbado algumas vezes imaginando aquela tarde, o que sei é que um orgasmo foi quase imediato. E nem bem meu corpo relaxava, ele continuou com a carícia e gozei mais uma vez, desta vez ainda mais intensamente.

Bom, o que posso dizer é que até desnudar minhas botas nós brincamos bastante. E mesmo desnudando-a, antes de beijá-los (meus pés) ainda brinquei um pouquinho mais. O podólatra é um fetichista, mas não necessariamente um masoquista, mas por experiência eu sei, um homem (fetichista ou não) é capaz de tudo para realizar sua fantasia.

PS – Sei que o sexo oral é uma das práticas mais básicas do sexo convencional. E só para contextualizá-los, o podólatra em questão no texto é meu amigo, só amigo, de muitos anos e nossa relação erótica funciona muito mais platônica do que ativamente. Em quase cinco anos só nos encontramos quatro vezes e apenas duas vezes com alguma conotação erótica-sexual. Daí a surpresa dele…