“Faço sexo pela internet”

Achei o depoimento abaixo em uma revista online, Sou + Eu , é uma daquelas revistas semanais baratinhas da Editora Abril, a minha mãe é viciada nelas, pois sempre trazem novelas e receitas. No entanto, me surpreendi com a franqueza do relato da leitora.

Faço sexo pela internet

Apesar da distância, mantenho minha intimidade em dia com meu namorado

A DONA DA HISTÓRIA: Christiane Capeletti, 39 anos, secretária, Rio de Janeiro, RJ

Antes de namorar o Marcello eu nunca tinha experimentado sexo por telefone, menos ainda pela internet. Mas, como o meu gato mora em Miami e eu, no Rio, a necessidade me fez perder toda a vergonha.

Um computador com web cam (filmadora que, acoplada ao micro, transmite imagem em tempo real), uma caixa de som e um microfone são tudo que eu preciso pra levar meu namorado à loucura. Por causa da distância, a gente transa na base do ‘olhômetro’. Funciona assim: eu acendo todas as luzes do meu quarto, me deito na cama e me exibo para a web cam. Ele faz o mesmo, lá em Miami. Quando a brincadeira esquenta, eu chego ainda mais perto do microfone pro Marcello escutar meus gemidos. Ele adora.

AMOR DE INFÂNCIA

Faz 27 anos que nos conhecemos. Ele foi o meu primeiro namorado. De lá pra cá foram várias idas e vindas até perdermos contato por um tempo. Nos reencontramos graças ao Orkut. Ele já estava morando em Miami. Fui visitá-lo e acabamos reatando. Estamos juntos novamente há um ano e quatro meses. O único problema é essa maldita distância. Quando dá, pego um avião e vou aos Estados Unidos visitá-lo. Nos intervalos a gente segura a onda pela internet.

APRENDI A USAR UM VIBRADOR

No início confesso que era horrível fazer sexo virtual, mas com o tempo fui perdendo a vergonha e aprendendo a me divertir. O Marcello é muito carinhoso e desinibido. Graças a ele aprendi a usar um vibrador e a dar asas à minha imaginação. Hoje fico bem à vontade diante da câmera, chego a colocá-la em close pro meu namorado tirar uma casquinha. Ah, e peguei o hábito de dormir nua e de luz acesa. É que o Marcello tem insônia e gosta de me ver pela internet durante a noite.

Quando não estamos no trabalho, eu e o Marcello ficamos o tempo todo conectados. Fim de semana, então, eu nem saio de casa. É tanto tesão que a gente chega a transar umas dez vezes por dia. Já virou rotina: eu entro em casa, ligo o computador e tiro a roupa, pra ele me ver pelada.

Só não consigo transar pela internet quando volto de uma visita ao meu amor: fico uma semana chorando de saudade, sem ânimo para brincar. Por mais que a gente se divirta pela web, ao vivo é sempre melhor. Tanto que eu e o Marcello estamos decidindo se eu me mudo para os Estados Unidos ou se ele volta pro Brasil. Meu sonho é ver as cuecas desse homem penduradas no varal. Além de fazer muito sexo presencial com ele, claro.

: : Casamento virtual : :

: : Dicas pra transar pela internet : :

Data publicação: 15:12:00 27/11/2007

Fonte: Revista Sou + Eu

Acho que o que me chamou a atenção no texto foi a ousadia da moça em admitir o que eu acredito ser normalíssimo de 8 entre 10 mulheres que tem computador, webcam e usam MSN, mas que quase ninguém assume. Chego a duvidar que, nem que seja uma vez na vida, mulheres que se encaixam neste perfil não tenham ousado o sexo virtual ou qualquer coisa perto disso.

Acho que já vivi de tudo um pouquinho, como na reportagem. Já vivi paixões via internet, já maldisse a distância, já me desnudei diante da webcam (tanto de corpo quanto de alma), já gozei com a voz no ouvido, já fui feliz, triste, já lamente e mais um tanto de sentimentos desconexos e controversos. Hoje a única dica que dou (se é que posso dar) é que não vale a pena.

Bom é beijo na boca, é mão no corpo, é sabor de gozo, é briga de perto, olho no olho (mesmo!). Sexo virtual não é e nem será prato principal, nunca, no máximo é um tempero a mais. Só isso. Contentar-se com isso é insano.