Ela quer a inversão de papéis, e agora?

Se acaba de chegar ao A Vida Secreta, leia também o post Inversão de Papéis – Como Fazer

E esta semana o tema inversão de papéis estava mesmo em evidência, dois e-mails em minha caixa de entrada chamaram atenção não pela prática em si, que é muito mais comum do que os envolvidos possam imaginar, mas pelo fato da proposta ter partido da mulher.

  1. No primeiro, uma leitora solteira comentava sobre a sua curiosidade pelo assunto inversão de papéis, do quanto tinha o desejo e não encontrava um parceiro disposto, até encontrar o atual namorado que, apesar do inicial estranhamento e resistência, aceitou experimentar o fio-terra e estavam programando uma inversão mais completa.
  2. No segundo, um leitor casado recente disse que a esposa resolveu apimentar a relação com carícias mais ousadas (anilingus, fio-terra) e como no caso acima, apesar do inical desconforto e resistência, a fantasia foi aceita e evoluiu para a proposta da inversão de papéis. Neste caso a esposa propôs, inclusive,  o crossdresser (vestí-lo de mulher).

Deliciosas Pervertedoras

Cresci ouvindo minha mãe dizer que cabia à mulher a manutenção do casamento. Segundo ela, a famosa expressão “manter viva a chama da paixão” referia-se a um conjunto de ações para evitar o marasmo conjugal na vida e na cama.

Quando meu pai morreu aos 46 anos minha mãe tinha 36 anos. Dentro das possibilidades de um casal com tres filhos em idade escolar, por uma iniciativa da minha mãe,  saíam para motelar (saída+jantar+motel) pelo menos duas vezes ao mês, para ter mais privacidade em suas fantasias. E apesar dos 15 anos de casados meu pai sempre disse para quem quisesse ouvir que mulher gostosa era a sua esposa…

Sequer imagino um décimo do que aconteceu em suas vidas secretas, filhos gostam de imaginar pais e mães assexuados,  mas se pude tirar uma lição do ensinamento dela é que ser uma deliciosa pervertedora pelo bem da relação é bom para todos os envolvidos. Que o diga esta mocinha que vos escreve, né?!

Proatividade sexual

Recentemente, um outro leitor comentou que eu tenho uma tendência a relacionar o insucesso sexual aos homens. Palavras dele em relação aos meus textos: “a culpa do fracasso na trepada é dos homens?” E confesso que desde que li sua crítica pensei muito no assunto e conclui que não é bem assim…

Acredito que todo ser humano, independente de ter um perfil mais Dominador ou submisso sexualmente, tem que ter atitude. Homem ou mulher. Escrevo meus textos em primeira pessoa, tenho um perfil mais ativo sexualmente e é natural que eu tenha uma tendência a incentivar as mulheres a serem também mais ativas e não contemplativas, passivas na relação. Proatividade ao invés de reatividade.

Não aceito a desculpa da infelicidade sexual recair sobre o parceiro.  Acredito que cabe a ambos perceber os desejos do outro, conversar, entrar num consenso se possível e, se não for possível, seguir adiante como for possível. Buscar outra pessoa que se adeque melhor, talvez… Só é infeliz quem quer ser infeliz, alternativas existem.

No entanto, talvez pela minha criação, meus referenciais, eu realmente creia que cabe à mulher não esperar que as coisas aconteçam e sim fazer acontecer. Ter a sensibilidade de perceber o que pode ser potencializado e ousar experimentar. Só isso. Se isso será bom ou ruim vai depender do que vier depois.

Talvez por isso, por este tipo de pensamento, as atitudes citadas acima, da namorada ou da esposa, não me deixem nem um pouco admirada.

Ela quer a inversão de papéis, e agora?

E agora, que o homem tem duas respostas: sim ou não. Só isso. Vai do desejo de cada um. Além do mais, cada homem conhece a mulher que tem. É capaz de perceber se a proposta vem de um desejo real (neste caso ela já deve ter insinuado algo) ou um teste de masculinidade (acredite, eu mesma já tive este preconceito como pode ler aqui). Cabe a ele embarcar na fantasia, dizer não pra sempre ou não, por enquanto.

Já no caso da mulher… Agora só está começando uma série de percepções e experimentações. Percepções aliás que já estavam presentes antes mesmo da proposta. Que, provavelmente, o próprio homem já havia percebido. Conversas, carícias, insinuações, pequenas incursões… Acredite, a proposta que vem de uma mulher nunca é feita por acaso. Sou uma estrategista sexual e (sem vergonha de assumir) adorável manipuladora.

Inversão de papéis para iniciantes

Plugs, dildos e cintas para strap on
Plugs, dildos e cintas para strap on. Apetrechos que existem no mercado para a prática da inversão de papéis. No entanto, com criatividade e cuidado, tudo é possível.

No caso da inversão de papéis, como já disse aqui, aprendi na marra. Acho que minha mente foi “abrindo” aos poucos, mas sempre tive uma predisposição a achar que todo tipo de prazer é válido desde que seja consensual. Só encontrei parceiros verdadeiramente dispostos à prática quando me envolvi com o BDSM, talvez porque homens “normais”, não submissos, tem uma certa resistência a admitir o prazer de maneiras mais alternativas.

Quanto a posições e dicas posso enumerar algumas, mas posso assegurar que tudo isso é pessoal demais, não existe regra, cada pessoa tem os seus próprios códigos que vem a desencadear o prazer. Pra você ter idéia, alguns homens gostam de se sentir forçados à inversão para ter prazer, gostam de sentir que estão sendo impostos à isso. Odeiam amar, entende? Talvez por ser um tabu social, sei lá… Outros são mais receptivos, aceitam, diversificam, querem o crossdresser (vestir-se com roupas do outro sexo) também, ousam experimentar e sentem prazer com isso.

Kit Básico para Inversão

E se ambos querem experimentar a inversão de papéis é bom lembrar que  alguns cuidados mínimos são necessários, mas se pudesse indicar um kit básico seria algo como… Tenha sempre à mão lubrificante íntimo à base de água, luvas de látex, ingênuas e necessárias camisinhas. Além de um dildo (pau de borracha), plug anal (espécie de dildo com uma base) e cinta para strap on. Tudo isso disponível em qualquer sex shop, virtual ou real.

Anal training

Sempre prefiro fazer o que chamo de anal trainning light antes da penetração. Não sou chegada a bizarrices do tipo enfiar coisas enormes, alargamentos e tal… Prefiro iniciar com os meus dedinhos, com muito gel (lubrificante íntimo à base de água) e munida de luvas de látex (camisinha também ajuda), pois a unha pode machucar o outro internamente, gosto de brincar primeiro com um, dois, três até quatro dedos. Sempre respeitando e percebendo os limites do outro. É importante o uso do lubrificante íntimo, pois o cu é uma região sem lubrificação natural.

Safadeza ao pé do ouvido

Um ótima dica é enquanto estiver manuseando o moço, falar  palavras safadinhas. Infelizmente, descobrir estas palavras safadinhas é um mistério… Enquanto alguns homens gostam de ser humilhados, chamados de bichinha e tal. Outros simplesmente gostam de perguntinhas do tipo, “está gostoso?”, “melhor assim?” Cada homem tem o seu código, como disse antes… Cabe a mulher descobrir qual o que dá “start” (liga) o prazer do seu. E isso é fácil, o que não dá tesão, broxa, simples assim.

Posições para a inversão

Quanto a posições, percebo que a maioria deles sempre se oferece de 4, acho que faz parte do imaginário deles. Talvez o costume de comer o cu de uma mulher desta forma, não sei. No entanto, isso vai de cada um. Percebo que este “oferecimento” é para os já treinados na prática da inversão. Os que tive o prazer de iniciar, sempre preferiram estar deitados de bruços, mais relaxados, meio de lado, enquanto os manipulava por trás… Isso usando a mão, plug, dildo ou qualquer outro objeto, sempre coberto com a camisinha (por questão de higiene) e com a ajuda de muito gel (para causar prazer e não desconforto).

Strap on

A penetração com o dildo, na prática do strapon (um pau de borracha acoplado a uma cinta que veste no corpo) é algo que à princípio deve ser cuidadoso, mais pelo fato da mulher não ter experiência do que pelo fato de necessitar de um cuidado maior. Exceto o cuidado de sempre, camisinha e lubrificante íntimo. Introduza lentamente a princípio, deixe acomodar e só depois venha com o vai e vem, no ritmo e intensidade que não for desconfortável para ele.