Blogagem coletiva: Mais teatro, Brasil!

Quando ele chegou, parou bem embaixo da arcada do salão, com aquele calção de saco de aniagem sem nada por baixo, vi logo que era uma ereção impetuosa, uma força irresistível forçando o pano quase no meio da coxa esquerda, e ele cruzou as mãos por cima, numa posição que agora eu talvez possa considerar engraçada, mas na hora não me pareceu. Senti a cócega na barriga outra vez, mas ao mesmo tempo não gostei. Não sei direito por que não gostei, mas na hora achei que foi porque fiquei pensando em como era que aquele negrinho, aquele projeto de negrão, aliás, sabia que tinha sido chamado para sacanagem. E se eu quisesse somente pegar passarinhos, mostrar a ele os livros e lhe ensinar algumas letras do alfabeto? Só me lembro disso, embora tenha certeza de que muito mais se passou atropeladamente por minha cabeça, e meu fôlego ficou acelerado. Então veio o estupro, um inegável estupro. Domingo, e o nome dele era Domingos. Rodei os olhos por aquelas paredes, apareceu na minha cabeça padre Vitorino na aula de catecismo, dizendo que domingo queria dizer o dia do Senhor, dominus vobiscum et cum spiritum tuum introibo ad altare Dei ite missa est, aqueles latins do outro mundo e pareceu que um redemoinho me pegou, meus olhos só viam em frente, meus ouvidos zumbiam, e eu falei, levantando a saia e baixando a calçola: “Chupe aqui.”

(…)

Chupe aqui, disse eu, que não sabia realmente que as pessoas se chupavam, foi o que eu posso descrever como instintivo. Falei com energia e puxei a cabeça dele para baixo pela carapinha e empurrei a cara dele para dentro de minhas pernas, a ponto de ele ter tido dificuldade em respirar. Não me incomodei, deixei que ele tomasse um pouco de ar e depois puxei a cabeça dele de novo e entrei em orgasmo nessa mesma hora e deslizei para o chão. A essa altura, ele já estava gostando e se empenhando e me encostei na parede de pernas abertas e puxei muito a cabeça dele, enquanto, me encaixando na boca dele como quem encaixa uma peça de precisão, como quem dá o peito para mamar, com um prazer enormíssimo em fazer tudo isso minuciosamente, eu gozava outra vez. Imediatamente, já possessa e numa ânsia que me fazia fibrilar o corpo todo, resolvi que tinha que montar na cara dele, cavalgar mesmo, cavalgar, cavalgar e aí gozei mais não sei quantas vezes, na boca, no nariz, nos olhos, na língua, na cabeça, gozei nele todo e então desci e chupei ele, engolindo tanto daquela viga tesa quanto podia engolir, depois sentindo o cheiro das virilhas, depois lambendo o saco, depois me enroscando nele e esperando ele gozar na minha boca, embora ninguém antes me tivesse dito como realmente era isso, só que ele não gozou na minha boca, acabou esguichando meu rosto e eu esfreguei tudo em nós dois. É impressionante como eu fiz tudo isso logo da primeira vez, porque foi mesmo a minha primeiríssima vez, e eu nunca tinha visto nada, nem ninguém tinha de fato me ensinado nada.

O trecho acima é do livro A Casa dos Budas Ditosos: Luxúria, de João Ubaldo Ribeiro, que foi adaptado para o teatro, dirigido por Domingos de Oliveira e há sete anos tem sido encenado pela talentosíssima Fernanda Torres. A peça que até 02 de maio está no Teatro Fashion Mall – RJ, conta a história de uma baiana de 68 anos que detalha suas incontáveis experiências sexuais, e já rodou todo o Brasil. Er…, quer dizer, quase todo… Infelizmente, o acesso ao teatro de qualidade ainda é privilégio das capitais, ou de uma ou outra cidade onde algum prefeito com fins eleitoreiros mais consciente tenha uma política de incentivo à cultura.

E foi exatamente por este motivo que, assim que recebemos o convite do Alessandro Martins, nós do A Vida Secreta resolvemos participar dessa blogagem coletiva: Mais Teatro Brasil. A Campanha é um grande manifesto nacional que tem como intenção principal, a inclusão sociocultural, educacional e digital, incentivando e disseminando arte, cultura e entretenimento de Norte a Sul do Brasil, tendo como base fundamental o Teatro!

Campanha: Mais Teatro Brasil

Clique na imagem para saber mais da campanha!

O objetivo da campanha é “colher o maior número de assinaturas possível para dar entrada, junto ao Congresso Nacional, num Projeto de Lei de Iniciativa Popular, para que seja obrigatória a construção de um “Centro Integrado de Cultura” em cada município, cuja população seja superior a 25 mil habitantes“.

Permitindo que “populações inteiras, que nunca tiveram contato com espetáculos de qualidade, ou mesmo espaços destinados à arte e à cultura – em sua imensa maioria restritas ao eixo Rio – São Paulo –, passem a ter acesso as mais diversas formas de expressão artístico-culturais, fomentando e desenvolvendo entre estas populações, um hábito tão fundamental para a formação do caráter de um povo, como é a cultura!”

Gastamos tanto tempo livre buscando inspiração pra safadeza aqui na internet, que tal gastar alguns minutinhos para assinar este manifesto e ajudar a fazer a diferença?  Se a gente pode se engajar em uma causa boa, porque não fazê-lo, não é mesmo?

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Ah, e como eu sou a mocinha das promoções, tenho uma dica boa. Eles estão com um concurso cultural, quem mandar a melhor frase sobre a campanha Mais Teatro Brasil, vai ter direito a uma Noite de Glamour em SP com tudo pago:

  • passagem de ida e volta à capital,
  • hospedagem em hotel cinco estrelas,
  • ingressos para assistir a um grande espetáculo teatral,
  • translado do hotel ao teatro e um jantar em restaurante de alto padrão.
  • com direito a acompanhante!

Nem preciso dizer que já estou participando, né?!

2 opiniões sobre “Blogagem coletiva: Mais teatro, Brasil!”

  1. uia, vale participar só por causa da promoção. [interesseira né??? magina!]

    mas falando sério, é uma droga essa falta de incentivo à cultura. semana passada teve apresentação do Maestro e Pianista João Carlos Martins, aqui em brasília [minúsculo mesmo, só de raiva], apresentação GRATUITA!!!!!! só q não houve divulgação, não tinha cartaz, não tinha panfleto, não tinha carro de som, não tinha anúncio em rádio, nada… imagina o fiasco, poucos gatos pingados. acho isso um desrespeito muito grande, com o povo e com o artista.

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