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O Cinema e o Sexo

É com grande prazer (em todos os sentidos, hummm…)  que apresento nossa nova colunista. Quem é leitor habitual de safadeza internética provavelmente já esbarrou com algum texto da Sablestarr por aí, isso porque seu blog Pecadora é um tesão do início ao fim. Aqui, essa deliciosa pecadora vai falar de Arte e Cultura Erótica (podem esperar por coisa boa, a moça saca muuuuito) e seu primeiro texto já chega aquecendo os ânimos com dicas imperdíves de Cinema e Erotismo. Que tal conferir?!

O Cinema e o Sexo – por Sablestarr *

O sexo e a morte – a porta da frente e a porta de trás do mundo – W. Faulkner

O sexo esteve sempre aí, desde que o mundo é mundo. O sexo nos move, move o mundo como o conhecemos. Segundo a mitologia judaico-cristã, o primeiro mandamento que Deus deu à sua obra-prima, o homem , foi: “Crescei e multiplicai-vos”. Em outra palavras: “fodam até encher esse meu mundão”.

A psicologia evolucionista, quem diria, também concorda com o Altíssimo ao dizer que o desejo mais profundo do corpo humano é o da reprodução e que a obediência a esse chamado primal é o motivo fundamental de nossas ações e comportamentos, moldados e vistos sob óticas diferentes, através das lentes de nossas tão diversas culturas.

A história mundial foi pontuada pelo sexo. Reis e rainhas, comandantes e
conquistadores, escritores, cientistas, músicos e todos os tipos de artistas… todos eles, em algum momento, por puro interesse político ou por pura putaria, renderam-se aos prazeres da carne, marcando assim a história da humanidade.

O cinema, em minha opinião, uma das mais importantes e influentes formas de arte, não poderia deixar de lado um elemento tão predominante em nossas vidas, e dedicou atenção especial ao sexo em seus dramas, originando assim o gênero que identificamos como erótico. (adj. 1. Do amor sensual ou a ele relativo. 2. Licencioso. 3. Libidinoso) – que, diferente do filme pornográfico, trata o assunto com uma visão mais sensual, plástica e artística e menos agressiva do que a apresentada neste último.

Breve Histórico do Erotismo no Cinema

O flerte entre o cinema e o erotismo, pasmem, começou ainda no séc XIX., quando a primeira mulher nua do cinema aparece em Les Époux Vont au Lit (Os Esposos Vão para a Cama), um curta de 3 minutos de 1896, apenas um ano após o nascimento oficial do cinema. O filme, dirigido pelo francês Eugène Pirou, se resume à atriz Louise Willis se despindo enquanto seu marido a espera na cama.

Já o primeiro nu frontal em uma produção para o grande público foi masculino, no filme italiano L’ Inferno (“O Inferno”), lançado em 1911 – não era uma megaprodução, mas tampouco pornô. Uma mulher totalmente nua na telona só apareceria cinco anos depois, no filme A Daughter of the Gods (Filha dos Deuses), do irlandês Herbert Brenon, com a atriz Annette Kellerman no papel principal.

Mas a sugestão de uma relação sexual só aconteceu em meados dos anos 30, 1933, para ser mais exata, com o filme Êxtase, que rodou os cinemas do mundo todo. Nele, a atriz sueca Hedy Lamarr nada nua em um lago com os seios à mostra, e, para escândalo geral, interpreta uma relação sexual. Embora não apareça quase nada, no filme erótico é assim: o que vale é a intenção.

Desde então, a indústria cinematográfica mundial descobriu que sexo no cinema, assim como na vida, chama atenção. E vende. E inspira. E atiça a imaginação, os sentidos e taras dos expectadores, a começar pela mais óbvia, no caso, o voyeurismo – ((do francês voyeurisme) s. m. 1. Psiquiatr. Patologia que consiste na obtenção de prazer sexual pela observação dissimulada de cenas de conteúdo íntimo ou erótico.)

Fiz uma lista básica com alguns filmes eróticos significativos na história do cinema. Ela não é baseada somente em meu gosto pessoal, mas na crítica geral, no meu conhecimento técnico do assunto (sim, tanto no sentido sexual quanto cinematográfico da coisa, pois trabalho na área de audiovisual) e em minha parca memória, portanto, passível de deslizes.

Clássicos do Cinema e do Erotismo

Ao longo dos meses vou revelando meus preferidos….deixo agora minha opinião sobre cinco primeiros clássicos.

1 – O Último Tango em Paris – (Bernado Bertolucci – França/Itália – 1972)

Drama erótico com Marlon Brando e Maria Schneider nos papéis principais, que envolve a velha fantasia de ter relações sexuais com alguém completamente desconhecido sem intenção de romance. Tudo isso,é claro, tendo como pano de fundo para uma história densa e tocante. Destaque para roteiro, fotografia e trilha sonora, jazzística, altamente sensual. Ficou famoso pela célebre cena onde Brando usa manteiga como lubrificante para o sexo anal. Ótimo.

2 – Der Nachtportier ( O Porteiro da Noite) – (Liliana Cavani – Alemanha/Itália – 1974)

Treze anos após ter sobrevivido a um campo de concentração nazista, durante a 2ª Guerra. Lucia Atherton (a lindíssima Charlotte Rampling) chega a um hotel em Viena, acompanhada do marido, um famoso maestro, que vai dar um concerto na Ópera da cidade. Na recepção, encontra o porteiro da noite, Max Aldorfer (Dick Bogarde) um antigo oficial da SS nazista que, na época, fora seu torturador e amante, numa relação sadomasoquista. Os dois logo se reconhecem, embora não troquem uma única palavra. Isoladamente, passam a recordar cenas que viveram juntos, no passado e voltam a se envolver. Polêmico. Perturbador.

3 – O Império dos Sentidos (Nagisa Oshima – Japão/França – 1976)

Ex-prostituta se envolve em um caso de amor obsessivo com o chefe de uma propriedade onde ela é contratada como empregada. O que começa como uma diversão inconseqüente transforma-se em uma paixão que ultrapassa todos os limites. Inspirado em um caso real, mostra a história de um amor total, onde dois amantes vivem uma paixão absoluta, uma busca incessante pelo prazer. Lindo e tesudo. É meu predileto : )

4 – Betty Blue (Jean-Jaques Beineix – França – 1986)

Meio sem gracinha, mas vale a pena pelas cenas de sexo e na verdade, pela época em que foi lançado – meados dos anos 80 – foi um passo importante para a liberação sexual das mulheres daqueles tempos. Betty é uma jovem tresloucada que encara a vida e o sexo de um modo peculiar, e que vai fazer tudo para ajudar seu namorado Zorg, a ser escritor em Paris. Vale uma bronha.

5 – A Lei do Desejo (La Ley del Deseo) – Pedro Almodóvar (Espanha, 1987)

Típica trama Almodovariana, onde sexualidade, família e tragédia dão o tom. Um dos meus filmes prediletos de um de meus diretores prediletos. Homossexualidade e sangue tornam tudo muito mais interessante. Antonio Banderas faz o papel de um jovem obcecado pelo diretor de cinema interpretado por Eusébio Poncela .A paixão entre os dois irá se desenrolar em uma história intrincada de assassinato e desencontros. Destaques também para a genial atuação de Carmen Maura (“Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”) como a irmã transexual do personagem de Poncela. Ótimo. Agrada aos gays.

Enfim, espero que seja bom pra vocês como SEMPRE É para mim.

Beijos, bons filmes, ótimas fodas.

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Sablestarr, The Sinner, é uma menina má, uma pecadora que adora uma sacanagem.  E se você ainda não conhece a a moça que tal acessar seu blog, Pecadora, ou perguntar diretamente a ela no Formspring, hein?!