Todos os post de Paula Ferrari

Paula Ferrari é fisioterapeuta, especialista em reabilitação neurológica. Atuante na área de reabilitação e sexualidade da pessoa com deficiência, em especial do Lesado Medular. Contato: [email protected]
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Acessórios Eróticos em favor da Reabilitação

Os acessórios eróticos além de ajudarem a tirar a relação da rotina, são ferramentas importantes no auxilio e reabilitação sexual de pessoas com lesão medular.

O retorno à vida sexual após a lesão medular pode ser, inicialmente, difícil e muitas vezes requer mudanças e adaptações, mas não deve ser menos prazeroso. Basta vontade e quando necessário boas orientações!

Uma das queixas mais frequentes nos homens é a dificuldade em atingir e manter a ereção. E dois acessórios bem simples são de grande valia para ajudar nessas queixas: bomba à vácuo e o anel peniano.

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Bomba peniana ajudando na reabilitação sexual / Imagem: Link Sex Shop

Neste post, vou falar um pouco sobre as famosas “Bombas Penianas”, que dentre outras coisas prometem o aumento peniano.

As bombas são acessórios bem simples e de fácil manuseio compostas por um cilindro que é ligado a um motor (ou a uma “pera”, quando a bomba for manual) que promove o vácuo, estimulando e favorecendo a vascularização e manutenção do sangue nos corpos cavernosos do pênis. É desta forma que a bomba peniana é capaz de auxiliar em uma ereção mais eficaz.

Alguns cuidados precisam ser tomados, principalmente em se tratando de homens com lesão medular, onde a sensibilidade peniana encontra-se alterada ou ausente. Atenção ao uso do lubrificante e cuidado para evitar lesões de pele são muito importantes.

Existem vários modelos e preços diversos para todos os gostos e bolsos. Seu uso deve ser orientado por um profissional da saúde. De modo geral, o custo-benefício do uso da bomba peniana costuma ser bastante satisfatório, quando bem indicado.

Estar aberto e receptivo á novas experiências pode ser a chave para uma vida mais prazerosa e plena.

Minha dica: teste, ouse, experimente!

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Devoteísmo | Atração ou Fetiche?

Na Marie Claire deste mês,  a publicitária Juliana Carvalho, autora do livro Na minha Cadeira ou na Sua?,  dá um depoimento extremamente claro e emocionante sobre como foi seu processo de resgate da libido pós lesão medular. Ela cita inclusive o seu contato com fetichistas adeptos do devoteísmo. Indico a leitura. Coincidentemente, nossa colunista Paula Ferrari, tem falado da reabilitação sexual de lesados medulares, também dá a sua visão sobre o tema.

É um grande atrevimento me aventurar a escrever um pouquinho sobre o Devoteísmo, assunto muito polêmico e bastante controverso, que esta sempre dividindo opiniões.

Segundo o dicionário, o termo devoto se refere a quem age com devoção a algo ou alguém. Logo o devoto, no meu entender, é todo aquele que tem carinho e luta, no caso deste texto, pelas pessoas com deficiência.

Até aí, tudo bem. O tabu começa quando esse termo toma uma conotação sexual, onde o devoto é aquele que se sente atraído por pessoas com deficiência. Pra ficar mais claro, é mais ou menos assim: “Fulano gosta de loiras, Ciclano das morenas e Beltrano de cadeirantes…”.

Pois é! O assunto provoca sempre divergência de opiniões. Há quem não veja nenhum problema nenhum , mas há quem abomine essas pessoas rotuladas “devotos”.

A imagem negativa pode ter surgido de experiências ou relacionamentos negativos de pessoas com deficiência e devotos. Muitos parecem buscar apenas satisfazer seus desejos e “taras”, ignorando sentimentos e expectativas do outro.

Porem, creio eu, quase tudo tem um lado bom! E sentir-se desejado faz bem para o ego e autoestima de qualquer ser humano (com ou sem deficiência).

O fato é que todo relacionamento envolve uma troca enorme de emoções, atitudes, sentimentos e tambem riscos. Uma deficiência não faz com que isso mude. Cabe a cada individuo saber e decidir com quem quer se relacionar.

É possível, facilmente, encontrar com devotos em salas de bate-papo destinadas às pessoas com deficiência. Muitos buscam claramente um envolvimento sexual (virtual ou real), mas outros parecem buscar algum tipo de relacionamento, seja amoroso ou apenas amizade.

Antes de escrever, resolvi conversar com algumas pessoas que se intitulavam devotos e descobri que algumas delas buscavam este perfil de companheiro por terem vivido boas experiências.

Observe o relato de V.B. – 33 anos:

“Meio que sem querer sai com um cadeirante que conheci em um barzinho. Para minha surpresa, aquela foi uma das melhores noites que tive ao lado de um homem. Desde então, passei a ver com outros olhos esses homens”.

E também o de V.M.F. – 26 anos:

“Tive duas namoradas que eram cadeirantes. Me agrada a sensação de cuidar e me excita perceber que na hora do sexo tenho pleno domínio da situação”

Minha opinião: antes de julgar alguém como bom ou ruim, conhecer cada individuo é a opção para evitarmos pré-conceitos, que a propósito, não fazem bem a ninguém!

“O preconceito é um fardo que confunde o passado, ameaça o futuro e torna o presente inacessível.”  - Maya Angelou

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Sexualidade, Auto-estima e Deficiência

É fato que a beleza física é uma grande preocupação para uma boa parcela da população, cadeirantes ou não, em especial para as mulheres, que estão sempre preocupadas com o corpo, com a roupa, com o cabelo… Enfim, passamos horas pondo e tirando roupas, para enfim vestirmos aquela velha e boa combinação e nos acharmos lindas!

Alias, temos essa necessidade! A auto-estima é o primeiro passo para uma vida sexual saudável e plena.

Fácil? Não, quando vivemos a ditadura da beleza, onde bom mesmo é o corpo perfeito, com curvas e formas perfeitas.

Mas quem disse que só isso basta? Estar em uma cadeira de rodas ou fazer uso de uma muleta não faz de ninguém menos sensual ou menos atraente.

A sensualidade e a beleza, além de estarem nos olhos de quem as vêem, esta na alma de quem as transmitem.

A sensualidade é composta por atitudes, olhares, palavras. É preciso se gostar, se aceitar e para ver que sexo, tesão e prazer esta além da condição física do individuo. Nada é capaz de “apagar” a feminilidade e a sensualidade de uma mulher segura, ciente de seus valores e de sua beleza (que não se limita somente ao seu físico).

É ai que mora o verdadeiro prazer, na possibilidade de não se ater aos limites do senso comum, de ousar, experimentar e estar aberto a novas possibilidades.

A deficiência física, muitas vezes, abala a auto-estima, mexe com a sexualidade, faz despencar a libido. Isso sim é que afasta as pessoas.

Então, o que nos resta é fortalecer o ego, levar a auto-estima, regar os dias com muito bom humor e mostrar a cara para vida, seja na cadeira de rodas, no salto alto, na muleta ou como for! Sem medo ser julgado, de errar, sem se preocupar com outra coisa que não a felicidade, o prazer e a possibilidade de sentir!

O sexo e o prazer não precisam de barreiras!

Para ilustrar um pouquinho do que acabamos de falar, segue algumas imagens da fotógrafa Kica de Castro, que é especialista em captar a sensualidade e a beleza de pessoas com deficiência.

 

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Lesão Medular e Sexualidade. Manuale d`Amore

“Quem dera ser lesado medular fosse apenas usar a cadeira de rodas…”

Já dizia o sábio que recordar é viver! Então, vamos nos lembrar do post anterior para iniciarmos este. Eu dizia o quão complexo é a lesão medular e pensando nisso, hoje vamos nos aprofundar em um tipo de seqüela que tira o sono de boa parte dos homens acometidos por essa lesão: a disfunção erétil.

Pois é, mas o que uma coisa tem a ver com a outra? É que, além de controlar muitas funções em nosso corpo, a medula também tem um papel fundamental na função sexual.

Antes de mais nada, vamos deixar claro que o grau de disfunção erétil é variável: alguns homens são mais acometidos que outros. Para tentarmos entender um pouco mais sobre isso, cabe uma breve explicação a respeito da ereção peniana, que ocorre por duas formas:

  1. Reflexa: onde não há nenhum controle voluntário, como o próprio nome diz ocorre por um reflexo, que pode ser desde um toque na região genital até uma resposta do organismo quando a bexiga esta cheia. É pouco duradoura e só ocorre enquanto houver estímulo.
  2. Psicogênica: voluntária e mediada por pensamentos, sensações, odores, imagens… Enfim, algo que gera excitação no homem.

Para que a ereção seja realmente satisfatória, ambas devem ocorrer durante o ato sexual. Porém, é aí que esta o problema!

No homem com lesão medular, de acordo com o tipo e local da lesão, haverá predominância de apenas um tipo de ereção que, na maior parte dos casos, é a reflexa.

Culturalmente a ereção é sinônimo de masculinidade e virilidade masculina, e para muitos o ato sexual é somente a penetração logo, esses homens com lesão medular passam por um complexo processo de redescoberta da sua própria sexualidade. É nessa fase que descobrem a importância de considerar preliminares, fantasias e todas as outras formas de prazer.

Costumo dizer que, mais do que qualquer remédio disponível no mercado, ter uma boa parceria e a mente aberta a novas descobertas são imprescindíveis nesse processo, mesmo porque remédios ajudam só em alguns casos (só não se esqueçam de consultar seu médico).

Alguns “brinquedinhos”, como anéis e bombas penianas, vibradores, além de auxiliar na manutenção da ereção, podem ser tornar a relação bem mais divertida.

Mas, quer saber? Bom mesmo é abrir mão do preconceito, experimentar, ousar e fazer acontecer!

Ilustro o texto com uma cena belíssima do filme Manuale de Amore, com Monica Bellucci.

Outros textos sobre Lesão Medular e Sexualidade

Imagem: Kica de Castro

Fisioterapia, Sexualidade e Lesão Medular

Trabalhar com lesão medular sempre foi uma das minhas grandes paixões como fisioterapeuta, não só pelo perfil dos pacientes, mas principalmente por toda a grandiosidade que envolve sua reabilitação. Não basta apenas entender de biomecânica ou locomoção, mas sim de todo o complexo que chamamos de Corpo Humano.

Imagem: Kica de Castro

E foi nesses anos de estudos que me deparei com uma área pouco explorada pela fisioterapia, mas muitíssimo importante para o paciente: a reabilitação sexual.

Muito se engana quem pensa que o fisioterapeuta se limita apenas a orientar algumas questões, mais ainda enganados estão os que pensam que nada temos com isso.

Pois é, se nosso papel como terapeuta é fazer com que o paciente retome à sua vida na sociedade, tão importante quanto é fazer com que ele retome à sua vida sexual.

Falar sobre esse assunto é bastante difícil para alguns pacientes, mas ciente das possíveis dificuldades que podem ocorrer, é nosso dever enquanto profissional abordar este tema.

Mas o que o fisioterapeuta tem a ver com isso?

  • Orientações quanto ao posicionamento e cuidados com o corpo, de modo geral contribuem bastante para uma vida sexual mais satisfatória.
  • Adaptações e algumas modificações são necessárias na maioria dos casos, estas podem até dificultar um pouco as coisas, mas não impossibilitam de forma alguma o ato sexual.
  • O objetivo da abordagem é diferente com cada paciente e a intensidade das mudanças varia de acordo com o nível e o tipo de lesão.
  • Podemos auxiliar nas questões práticas como transferências, melhora da mobilidade e principalmente na melhora do controle de tronco e pelve, o que para os homens é muito importante para devolver um pouco mais de autonomia no ato sexual.

Uma conversa aberta com o paciente e com o parceiro (a) pode ser o início de uma nova fase da reabilitação.

Mais importante que estar bem orientado é estar aberto para novas experiências, rever conceitos, se livrar de inseguranças, medos e preconceitos.

Acredito que o sexo precisa deixar de ser visto como um tabu ou algo desnecessário e sem importância para a reabilitação.

“Quando sua realidade muda, seus sonhos não precisam mudar”

Diário de Uma Ninfomaníaca - Trecho - YouTube

Tetraplegia e Sexualidade – Comendo com os Olhos

Comecei a semana com um texto da fisioterapeuta especializada em reabilitação neurológica Paula Ferrari, nova colunista do A Vida Secreta, comentando sobre o preconceito e desinformação quanto à sexualidade do deficiente físico. Paula se propôs a escrever mais sobre o tema e desmistificar o tabu da sexualidade do cadeirante. Termino a semana ainda falando de sexualidade e lesão medular, com o trecho de um vídeo, Diário de Uma Ninfomaníaca, e um texto de Leandro Portella.

“(…) Após uma lesão medular alta e seqüela de tetraplegia há alteração de toda a parte sensorial, principalmente a sensibilidade (tato) abaixo da lesão. Quando a lesão é completa, ocorre a perda total da sensibilidade do pescoço para baixo! Logo, imagina-se que um tetraplégico não sente nada durante a relação sexual, porém, nesse momento, percebemos o quanto o corpo humano é incrível!

O ser humano saudável dispõe da libido sempre que seus olhos, seu olfato, pensamento ou tato se deparam com algo relacionado ao sexo. Não tendo a sensibilidade tátil, que tem uma função indispensável na ativação do impulso sexual, como por exemplo, enquanto que as carícias e beijos levam a excitação, no tetraplégico outros sentidos assumem essa função, sendo a visão o principal deles.

A visão é, provavelmente, a fonte de estimulação sexual mais importante que existe, ainda mais no homem tetraplégico. Existem numerosos estímulos visuais envolvidos na atração sexual. A forma de mover-se, um olhar, um gesto, inclusive a forma de vestir-se, são estímulos que, enquanto potencializam a capacidade de imaginação do ser humano, podem resultar mais atraentes que a de só depender do tato para obter prazer.

O prazer não se sente somente com a sensibilidade (o tato). Também é possível sentir com os olhos!”

Leia o texto completo no Vida Mais Livre


Leandro Portella tem 30 anos e é tetraplégico desde 1999, autor do blog Ser Lesado, co-autor do Cadeirantes em Foco (em parceria com Paula Ferrari) e colunista do site Vida Mais Livre.