Amantes

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    Esta semana eu conversava com A. Cinco meses que não nos vemos. E não o amo menos por isso. Ele é uma daquelas pessoas especiais que aparecem em nossa vida. É o homem certo apesar de ser o errado. Errado porque é casado (bem casado), tem filhos, netos e mora longe de mim. No entanto, ele me é tão próximo, mas tão próximo que chega a me assustar. Conversar com A. é como conversar com o espelho.

    Faz umas duas semanas ele me apresentou uma menina nova, a amante da vez. Ou seria escrava?! Comigo, A. é completamente baunilha (sexualmente normal), talvez menos do que é com a esposa, já que somos dois libertinos, mas com as outras amantes, ele adota uma postura de Dominador. Estava no MSN conversando quando ele disse que ela estava em outra janela e queria me apresentar. A conversa foi a coisa mais sem graça, monossilábica e retraída que eu tive na vida. Ela focou a conversa em trabalho, como se o que tivéssemos em comum fosse isso e não A. E todas as vezes que eu tentei ser um pouco mais incisiva no assunto, ela saía pela tangente. Dias depois ele me perguntou como foi o nosso contato e eu disse: “Ela é ciumenta!”, e ele deu uma gargalhada. Era óbvio que sim.

    Se existe uma coisa que eu não entendo, é como uma amante pode ter ciúmes?! Se o cara não é fiel nem à esposa, a qual diante do altar jurou fidelidade, amar e respeitar, vai ser fiel à amante?! Sei lá… Devo ser muito diferente das outras mulheres mesmo, mas eu acho tão normal ele ter outras, que nem consigo ter ciúmes. Aliás, ele é mais ciumento de mim do que eu dele. No entanto, respeita as minhas vontades e desejos, não é obsessivo. O amo tanto, que estamos acima do bem e do mal, do certo e do errado. O que é uma amante senão alguém que ama?!